Malária: como se transmite e como te podes proteger

Tempo de leitura: 4 minutos

1.Malária: o que é e como se transmite?

O que é a malária e porque é que é preocupante para viajantes?

A malária é uma doença potencialmente grave, causada por parasitas do género Plasmodium e transmitida por mosquitos do género Anopheles. Se estás a planear viajar para áreas tropicais e subtropicais, é essencial entender como ocorre a transmissão para que possas tomar as devidas precauções.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de casos de malária são registados anualmente, com a maioria das ocorrências em África, mas também com presença significativa na América do Sul, Ásia e algumas regiões do Pacífico.

Como se transmite a doença?

A malária é transmitida exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, que se infeta ao sugar o sangue de uma pessoa já contaminada. O ciclo de transmissão ocorre da seguinte forma:

O ciclo de transmissão de malária

  1. Pessoa infectada – Uma pessoa portadora de Plasmodium é picada por mosquito, que se infecta ao ingerir as parasitas presentes no sangue.
  2. Incubação no mosquito – O Plasmodium desenvolve-se dentro do mosquito durante 10 a 14 dias.
  3. Nova picada – Quando o mosquito infetado atinge outra pessoa, pois as parasitas são injetadas na corrente sanguínea.
  4. Multiplicação do parasita – O Plasmodium invade os glóbulos vermelhos, multiplicando-se e causando os sintomas da doença.

    Diferentes espécies de Plasmodium podem causar malária em humanos, sendo o Plasmodium falciparum o mais perigoso, pois pode levar a complicações graves, como falência de órgãos e morte.

     

A malária pode ser transmitida de outras formas?

Mosquito Malária

Embora a principal via de transmissão seja uma picada do mosquito Anopheles , a doença pode, em casos raros, ser transmitida por outros meios:

  • Transfusão de sangue – Se um doador estiver infetado, a malária pode ser transmitida ao receptor.
  • Partilha de seringas – Pode ocorrer entre usuários de drogas injetáveis.
  • Transmissão congénita – Em casos raros, uma mãe infetada pode transmitir a parasita ao bebê durante a gravidez ou o parto.

Quais são os primeiros sintomas de malária e quando devo preocupar-me?

Os sintomas aparecem geralmente 7 a 30 dias após a picada:

  • Febre alta intermitente (a cada 48-72 h)
  • Arrepios intensos, suores e tremores
  • Dor de cabeça forte, náuseas e fadiga extrema
  • Dores musculares e articulares

    Em alguns casos, a doença pode também demorar meses a dar os primeiros sintomas.

Atenção: se tiveres febre após regressar de uma zona de risco (mesmo meses depois), procura imediatamente um médico e diz “estive de viagem e passei por zonas com malária”. O diagnóstico precoce salva vidas, o tratamento é 99% eficaz nas primeiras 48 horas.

 

Conclusão

A malária é uma doença grave, mas pode ser evitada se forem seguidas as medidas de prevenção adequadas. Saber como se transmite permite-te viajar com mais segurança e ter uma protecção eficaz contra esta ameaça.

Se você vai viajar para uma área de risco, agende uma consulta ao viajante e receba orientação personalizada. A sua saúde é prioridade!

Queres saber mais sobre como te deves proteger contra a Malária?

FAQs sobre a transmissão de malária

1. A malária é contagiosa entre pessoas?

A transmissão da doença depende largamente da picada do mosquito fêmea Anopheles entre pessoasao carregar o parasita de uma pessoa infectada para uma pessoa saudável. Contudo, existem também registos de transmissão vertical (mãe – feto) e através de transplante de orgãos infectados.

2. Um mosquito infetado pode provocar malária imediatamente?

Não. O Plasmodium precisa de um período de incubação, levando alguns dias até começar a provocar sintomas no hospedeiro.

3. Se já fui infectado uma vez, posso voltar a ter a doença?

Sim. Podem ocorrer novas infecções e a infecção por algumas espécies de Plasmodium (como o P. vivax e o P. ovale), podem causar recidivas meses ou até anos após uma infecção inicial.

4. Há vacina contra a malária?

Mais ou menos. A vacina RTS,S já está a ser utilizada em alguns países africanos e apresenta resultados promissores. Esta vacina é pensada para populações de risco (como crianças em países de alta incidência da doença) e ainda não há uma vacina para os viajantes. Importante reforçar que nada substitui outras formas de prevenção, como o uso de repelentes e medicamentos profiláticos.

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Dra. Andreia Castro
Dra. Andreia Castro

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